sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Escola Raul Cortazar Salta Ar


Rabeca na Escola

Eu e minha amiga Maria Soledad



Limpando Cabaça


 No começo de Junho, quando voltava de minha viagem ao Chile,  passei por Salta e tive uma ótima experiência na Escola Raul Cortazar que fica no bairro Bancarios, bem pertinho do complexo "El Tribuno" e da minha querida Rádio Salta.

No ano anterior em 2018, por ocasião do Encontro de Luthiers em Salta, eu conhecí a professora Maria Soledad, e o seu coral infantil, que cantava músicas em língua Guarany. Agora em 2019 eu retornava pra uma visita.

Com a professora, Maria soledad, eu conhecí também Andréa, uma mulher Ava Guarany, que pertence a uma comunidade mais ao norte de Salta, já caminho da Bolívia.


Andréa me disse que seu pai foi o último tocador de Rabeca de sua comunidade, e ela dizia que o som da minha Rabeca fazia ela recordar de sua juventude. Depois do falecimento de seu pai, ninguém mais  na comunidade Ava Guarany de Salta fez ou tocou uma Rabeca.



 Apresentação na Casa de Cultura de Salta



A professora Maria Soledad, queria proporcionar aos seus alunos a experiência de ter um contato direto  com a Rabeca, e então planejamos uma oficina.
Eu iria construir duas Rabecas de Cabaça, no quintal da escola, e os alunos iriam assistir partes do trabalho e também iriam interagir de várias maneiras.

Combinamos do jeito que eu mais gosto, me instalei no camping Carlos Xamena meu camping favorito, a professora arranjou uma bicicleta emprestada e estava tudo pronto pra oficina.
Eu fazia o café da manhã no camping, ia e voltava de bicicleta e almoçava na escola.

Foi uma experiência ótima. Muito bom ver a curiosidade das crianças e a escola tem uma energia muito positiva.
O pessoal da escola é muito profissional e se dedicam de corpo e alma às crianças.
A escola abriga um museu sobre o universo Guarany, e tem até duas Rabecas do Chaco Argentino em seu acervo
As  nossas Rabecas estão prontas e ficaram para serem utilizadas na escola.


O próximo passo no ano que vem é ir até a comunidade de Andréa e fazer Rabecas com os artesãos de lá, quem sabe eles não voltam a tocar novamente, pois a Rabeca  sempre fez parte da cultura Ava Guarany, até  a morte do papai de Andréa, o último Rabequeiro.





















 Maria Soledad e Andréa 



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Cuchillaco 2019


Virgen de la Candelaria
Humahuaca Jujuy Ar




Em abril desse ano, pela terceira vez, eu participei da peregrinação à Virgencita de Cuchillaco, com meus amigos da família Ninaja em Humahuaca, na Quebrada Nortenha.

Trata´se de uma caminhada, pelas montanhas até uma capela ha uns quatro mil metros de altitude, onde os peregrinos acampam, armam uma cozinha comunitária e  por três dias rezam, confraternizam com amigos e parentes e no final trazem de volta a Virgem para o povoado de Humahuaca.

 O objetivo maior é trazer de volta a imagem da santa que já subiu a montanha no começo do mês , com o início das festividades.
Tudo isso ao som de dezenas de bandas de Sikuris.


Primeiro amanhecer em Cuchillaco

A família Ninaja tem a tradição de limpar e manter as pequenas trilhas das encostas  livres e seguras, para os peregrinos passarem com os andores e as bandas com os seus enormes tambores, pois são caminhos selvagens que ficam isolados todo o resto do ano. É preciso fixar as pedras, abrir novas picadas e tudo mais.


Pra cumprir essa tarefa, todo ano , sobem a montanha, uns cinco dias antes pra preparar o terreno, e essa é a terceira vez que os acompanho.
Seria uma tarefa fácil, pois eu sou um homem rústico e acostumado à batalha, mas numa altitude de quatro mil metros, não é fácil. Falta oxigênio e ficamos mais pesados e fracos, o simples ato de caminhar já é penoso.
Quem vem de outros lugares " mais baixos ", não consegue ficar nesse ambiente, tem dores de cabeça e vomitam toda hora.
Eu felizmente sofro uns dois dias, mas consigo me adaptar, inclusive já pedalei em altitudes como essa.

 Foi mais um ano em Cuchillaco, graças a amizade e o companheirismo dos meus amigos , que são a minha família, quando estou longe de casa.


Café antes da batalha



Cardones, um simbolo da puña Jujeña



Falta de ferramenta , não é desculpa



 O trabalho era duro, mas toda tarde assávamos um Cordeiro



 Missa Campal








 
Cozinha da festa















quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Rabecas em Valparaiso Chile


Maio de 2019





Eu conhecia Valparaíso de outra viagem, já estive ali há alguns anos com a Sandrinha, visitando as integrantes do grupo "Las del Puerto", amigas que trabalham com folclore Chileno. São professoras de música e conhecem como ninguém a cultura tradicional do Chile e outras regiões.

Porém, em maio de 2019, fui convocado pela minha amiga Carolina Lopes Gajardo, que é maestrina e diretora da Orquestra Estudantil na Universidade Federico Santa Maria, para construir quatro Rabecas de três cordas, do tipo mais tradicional na colonização de algumas  regiões da América do Sul. 

Ela está formando uma orquestra de instrumentos Latino Americanos. Trata-se de uma Orquestra regular, que também agrega  naipes de instrumentos populares utilizados por povos originários, como Charango, Queña etc...                                                                          
No Chile existem alguns tipos de instrumentos de arco, utilizados desde a colonização e, dizem, até mesmo antes da chegada dos Espanhóis.

Maria Carolina queria um naipe de Rabeles Chilenos e outro naipe de Rabecas Brasileiras em sua Orquestra.                                                        
Talvez ela tenha me chamado porque conhece minhas Rabecas, já que o grupo "Las del Puerto" tem umas 2 ou 3 rabecas construídas por mim.                                                                                                      
Cheguei no Chile no dia do trabalhador, primeiro de maio, e fiquei hospedado na casa de Maritê Gajardo, minha amigaça que também é mãe de Maria Carolina. Trabalhei num pequeno porão e fiz quatro Rabecas com a madeira que estava estocada por lá.                                                          
Foram trinta e poucos dias, trabalhando no que eu mais gosto, passeando e desfrutando de tudo que Valparaíso nos oferece: friozinho gostoso, culinária de primeira e um povo muito acolhedor.                                                                                            

Creio que as Rabecas ficaram ótimas, timbre único, bom volume e muito bonitas. Esperemos agora que para o ano, comecem a ensaiar e executar elas em público.     
                       
Existem músicas Sul Americanas, que devem ser tocadas com Rabeca, pois fazem parte de uma época  em que ainda não se utilizava o violino. E há um repertório que originariamente é tocado com Rabel, rabeca, violin Chilote ou outros instrumentos antigos.                                                                                                                            




























Rabeca de Cabaça com estojo



Essa Rabeca de cabaça, foi exposta no" Segundo  Encontro de Luthiers de Salta Ar."
Rabeca de 4 cordas com estojo também construido por mim mesmo, com reaproveitamento de madeira de  caixas de bacalhau




Rabeca de Cabaça


Rabeca de Cabaça



Rabecas de Cabaça