RABECA ESCAVADA
Barro e Cordas
Muitos já conhecem a www.barroecordas.com.br e, agora, temos o blog do Barro e Cordas Instrumentos Musicais para informações mais atualizadas, instrumentos que acabaram de ser construídos... Para saber informações a respeito de vendas dos instrumentos musicais, escreva para CONTATO@BARROECORDAS.COM.BR
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Mistérios de Chiquitos
O mistério das Músicas perdidas.
Valmir Roza Lima
Quando se viaja por terras estrangeiras, estamos
sempre dispostos a conversar com os locais e ouvir estórias pitorescas. Ainda
mais quando se viaja por zonas muito antigas e cheias de mistério, como algumas
regiões da América do Sul.
Interessante também é a fauna de personagens que surgem
dessas estórias, guerreiros, nativos, militares, ladrões de terra, padres, heróis
do povo e “belas” mulheres.
Uma das estórias que me marcaram nessas viagens que sempre
faço entre Argentina e Bolívia, foi sobre a misteriosa vida de Domenico Zípoli,
que é considerado o mais importante compositor das Missiones Jesuíticas.
Sua vida ainda hoje é objeto de pesquisa e eu não
conheço uma biografia ou documento oficial, que mapeie de uma vez por todas os
passos desse personagem.
Por nome de Domenico Zipoli, sabe-se que nasceu na
Itália por volta de 1700, e que tornou-se
um grande mestre de música. Morou em várias cidades europeias e estudou com
grandes mestres de sua época.
Dizem os pesquisadores que teria escrito várias obras
até atingir a vida adulta, sendo até reconhecido como um compositor de certa
importância.
Daí em diante sua vida é um mistério.
Pra resumir a história, em um certo período o nosso
personagem, não apareceu mais em nenhum documento e não se tinha mais noticias
de novas obras musicais escritas por ele.
O tempo passa e com o tempo, as obras de Domenico
Zipoli, vão sendo esquecidas e os documentos que citam o músico, vão se
tornando coisas do passado. Por fim, a Europa segue seu destino e o nome do músico
vai sendo ofuscado pelas novidades do
novo mundo ”Lembre-se que estamos no século XVIII época de grandes mudanças”,
até que ele é dado como desaparecido.
Mapa da Chiquitania
rr
Construção tipica da região
Rua de San Javier
Colunas de madeira em San Inácio
No ano de 1941, um pesquisador Uruguaio, por nome
Lauro Ayestarán, investigando documentos antigos, descobriu que o Maestro
desaparecido na Itália, na verdade teria vindo como missionário jesuítico para
a América do Sul, e teria vivido na província de Córdoba na Argentina, onde
teria morrido em 1726 depois de compor várias obras musicais juntamente com os
nativos da região.
Porém essa estória não termina aí !
Esse mistério nos leva agora pro interior da Bolívia,
mais precisamente pra região da Chiquitânia.”Chiquitos”
Eu já andei por vários povoados dessa região e já
ouvi várias versões dessa mesma estória
que vou narrar a seguir:
Na década de setenta, houve um grande trabalho de
restauração em várias igrejas e construções originais que teriam servido as
missões jesuíticas nos povoados de
Chiquitos entre os anos de 1696 e 1760.
Nesse trabalho, foi encontrada uma câmara secreta com
documentos antigos e entre esses documentos cinco mil partituras musicais.
E adivinha! muitas dessas músicas, foram atribuídas
ao nosso personagem Domenico Zipoli, que deve ter tido uma vida muito
interessante e aventurosa, pois na sua meia idade, partiu da Europa em direção
à América do Sul, recém descoberta, e se aventurou a evangelizar e fazer música
com os nativos.
Chiquitos hoje é uma região muito conhecida na
Bolívia e famosa por suas escolas de música. Uma série de povoados em plena
selva perto de Santa Cruz, onde de dois em dois anos, é realizado um dos
maiores festivais de música sacra do mundo.
Rabecas antigas em San Javier
Fundação das cidades na América Espanhola

Igreja em San Javier
Em Chiquitos as obras de Domenico Zipoli são
executadas por centenas de grupos indígenas em um formato europeu como coral,
orquestras, quartetos etc...e ele é considerado o compositor que mais representa
as reduções jesuíticas, mas por ironia do destino, creio que ele não chegou a
conhecer essa região, pois suas obras chegaram à Chiquitos pelas mãos de outros
padres que provavelmente vieram da região em que ele vivia na Argentina.
Outros dizem que ele chegou a passar por Chiquitos, será que ele esteve por ali também ??
Essa história é muito conhecida pelos amantes da
música sacra, e já virou lenda.
A lenda das músicas perdidas.
Valmir Roza lima
Mapa da Chiquitania
rr
Construção tipica da regiãorr
Rua de San Javier
Colunas de madeira em San Inácio
No ano de 1941, um pesquisador Uruguaio, por nome
Lauro Ayestarán, investigando documentos antigos, descobriu que o Maestro
desaparecido na Itália, na verdade teria vindo como missionário jesuítico para
a América do Sul, e teria vivido na província de Córdoba na Argentina, onde
teria morrido em 1726 depois de compor várias obras musicais juntamente com os
nativos da região.
Porém essa estória não termina aí !
Esse mistério nos leva agora pro interior da Bolívia,
mais precisamente pra região da Chiquitânia.”Chiquitos”
Eu já andei por vários povoados dessa região e já
ouvi várias versões dessa mesma estória
que vou narrar a seguir:
Na década de setenta, houve um grande trabalho de
restauração em várias igrejas e construções originais que teriam servido as
missões jesuíticas nos povoados de
Chiquitos entre os anos de 1696 e 1760.
Nesse trabalho, foi encontrada uma câmara secreta com
documentos antigos e entre esses documentos cinco mil partituras musicais.
E adivinha! muitas dessas músicas, foram atribuídas
ao nosso personagem Domenico Zipoli, que deve ter tido uma vida muito
interessante e aventurosa, pois na sua meia idade, partiu da Europa em direção
à América do Sul, recém descoberta, e se aventurou a evangelizar e fazer música
com os nativos.
Chiquitos hoje é uma região muito conhecida na
Bolívia e famosa por suas escolas de música. Uma série de povoados em plena
selva perto de Santa Cruz, onde de dois em dois anos, é realizado um dos
maiores festivais de música sacra do mundo.
Rabecas antigas em San Javier
Fundação das cidades na América Espanhola
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Igreja em San Javier
Em Chiquitos as obras de Domenico Zipoli são
executadas por centenas de grupos indígenas em um formato europeu como coral,
orquestras, quartetos etc...e ele é considerado o compositor que mais representa
as reduções jesuíticas, mas por ironia do destino, creio que ele não chegou a
conhecer essa região, pois suas obras chegaram à Chiquitos pelas mãos de outros
padres que provavelmente vieram da região em que ele vivia na Argentina.
Outros dizem que ele chegou a passar por Chiquitos, será que ele esteve por ali também ??
Outros dizem que ele chegou a passar por Chiquitos, será que ele esteve por ali também ??
Essa história é muito conhecida pelos amantes da
música sacra, e já virou lenda.
A lenda das músicas perdidas.
Valmir Roza lima
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Rabecas no Chile
Valmir Roza Lima
Nesse ano de 2019, depois de passar pela
Argentina e participar pela terceira vez da peregrinação de Cuchillaco em
Humahuaca, desci em direção a Mendoza e atravessei o “Paso los Libertadores”,
uma das fronteiras mais bonitas da America do Sul, rumo ao Chile.
Fui convocado para construir algumas Rabecas
para uma orquestra estudantil em Valparaíso, linda cidade portuária onde tenho
alguns amigos.
Já em Humahuaca, eu estava preocupado com a
fronteira Chilena, pois passaria com ferramentas e na certa teria de pagar
alguma multa ou talvez minhas ferramentas ficassem apreendidas, e elas seriam necessárias pra eu construir as Rabecas em Valparaiso.
Na Bolívia e na Argentina, não tem muito
problema, mas a aduana Chilena é muito exigente.
Nenhuma aduana gosta que passes com
ferramentas, pois é um indicio de que vais trabalhar.
Porém apesar da preocupação, passei tranquilo com as ferramentas acomodadas estrategicamente na bagagem.
Casa de Marité
Cheguei em Valparaíso numa manhã ensolarada e
ao sair do terminal de bus ainda meio confuso num misto de alívio, cansaço e
alegria, encontrei a Avenida Pedro Mont repleta de gente, paisanos, vendedores,
senhoras apressadas e estudantes enchendo as calçadas.
Segundo o combinado com Maria Carolina, inicialmente
eu ficaria hospedado com sua mãe Maritê, até que nos encontrássemos e acertássemos
os detalhes da construção das Rabecas.
Porém, Maritê já era minha amiga, pois possui
um hostel no cerro Artilheria, onde eu e a Sandrinha já nos hospedamos a alguns
anos atrás, e pra lá eu me dirigi rapidamente.
Depois do descanso, tivemos uma pequena reunião na praça do bairro, onde ficou tudo acertado. Maria Carolina estava com obras em sua casa, portanto Maritê me hospedaria em um quarto sem custos e eu construiria as Rabecas ali mesmo num pequeno porão de sua casa.Claro que receberia pelo meu trabalho, o preço das Rabecas já estava combinado desde antes da viagem.
Nas ruas de Valparaíso se vende de tudo e foi
na rua Uruguai, famosa por seus vendedores “Callejeros” que eu comprei as ferramentas
que faltavam pra iniciar a construção das Rabecas.
Foram quatro semanas de intenso trabalho, eu me
levantava cedo, tomava chá com tortilhas e descia para o porão pra fazer
Rabecas, Eu fazia meu almoço e jantar, ou fazíamos coletivamente entre os hospedes.
Tive tempo de passear, andar pelo bairro e
fazer amizades por ali, foi um tempo muito proveitoso.
A casa de Marité é sempre cheia de viajantes,
nessa época em que estive lá, haviam muitos trabalhadores Venezuelanos, Argentinos
e até Chilenos mesmo. Sempre chegava gente nova.
Adorava passar horas conversando com Maritê
sobre as tradições e a cultura Chilena, aprendi muito com ela e sempre a terei como uma amiga querida.
Quem conhece Valparaíso sabe de seus inúmeros cerros, um mais lindo que o outro, todos muito coloridos e cheios de grafite, a cidade vive numa atmosfera artística o tempo todo, com músicos de rua em toda parte, nas praças nos ônibus e nos restaurantes, gente ensaiando dança nas praças, é uma loucura! Andar nos tróleibus ou passar as tardes sentado no porto, observando as aves também é um programão.
Meu porãozinho
Voltemos às Rabecas.
Maria Carolina Lopes Gajardo é integrante do
grupo “ Las del Puerto”, e como as outras integrantes também é professora de música.
Dirige a Orquestra Estudantil da Universidade
Federico Santa Maria e está montando uma Orquestra Latino Americana, ou seja,
uma Orquestra, com os instrumentos convencionais, agregando os instrumentos populares,
como queña, charango, bumbo, rabel e ela me pediu algumas rabecas, pois vai
fazer um naipe de Rabecas Brasileiras e Rabeles Chilenos em sua Orquestra.
Isso porque existem temas antigos que tem de
ser executados com instrumentos originais, eu achei fantástico.
Mergulhei de cabeça nesse projeto e fiz quatro
Rabecas com madeiras encontradas no porão de Maritê.
Nesse meio tempo, ainda gravei um depoimento falando
sobre Rabecas, Violas e cultura caipira pra
Fundação Margot Loyola, que é dirigida pela minha amiga Maria Eugênia
Cisternas.
Fiz uma pequena apresentação na Universidade,
visitei minha amiga Ana Flores, grande conhecedora do folclore Chileno, e
passei uma tarde, conversando e tocando com minha amiga Viviana Morales, grande
folclorista também.
Ah ! e testemunhei o meu primeiro tremor de terra, apesar de sempre viajar por lugares sujeito a tremores eu nunca tinha sentido um, Valparaíso. foi o meu primeiro.
Valparaíso me marcou de um jeito inesquecível, foi o primeiro lugar em que eu construí Rabecas longe de minha oficina.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Escola Raul Cortazar Salta Ar
Rabeca na Escola
Eu e minha amiga Maria Soledad
Limpando Cabaça
No ano anterior em 2018, por ocasião do Encontro de Luthiers em Salta, eu conhecí a professora Maria Soledad, e o seu coral infantil, que cantava músicas em língua Guarany. Agora em 2019 eu retornava pra uma visita.
Com a professora, Maria soledad, eu conhecí também Andréa, uma mulher Ava Guarany, que pertence a uma comunidade mais ao norte de Salta, já caminho da Bolívia.
Andréa me disse que seu pai foi o último tocador de Rabeca de sua comunidade, e ela dizia que o som da minha Rabeca fazia ela recordar de sua juventude. Depois do falecimento de seu pai, ninguém mais na comunidade Ava Guarany de Salta fez ou tocou uma Rabeca.
Apresentação na Casa de Cultura de Salta
A professora Maria Soledad, queria proporcionar aos seus alunos a experiência de ter um contato direto com a Rabeca, e então planejamos uma oficina.
Eu iria construir duas Rabecas de Cabaça, no quintal da escola, e os alunos iriam assistir partes do trabalho e também iriam interagir de várias maneiras.
Combinamos do jeito que eu mais gosto, me instalei no camping Carlos Xamena meu camping favorito, a professora arranjou uma bicicleta emprestada e estava tudo pronto pra oficina.
Eu fazia o café da manhã no camping, ia e voltava de bicicleta e almoçava na escola.
Foi uma experiência ótima. Muito bom ver a curiosidade das crianças e a escola tem uma energia muito positiva.
O pessoal da escola é muito profissional e se dedicam de corpo e alma às crianças.
A escola abriga um museu sobre o universo Guarany, e tem até duas Rabecas do Chaco Argentino em seu acervo
As nossas Rabecas estão prontas e ficaram para serem utilizadas na escola.
O próximo passo no ano que vem é ir até a comunidade de Andréa e fazer Rabecas com os artesãos de lá, quem sabe eles não voltam a tocar novamente, pois a Rabeca sempre fez parte da cultura Ava Guarany, até a morte do papai de Andréa, o último Rabequeiro.
Maria Soledad e Andréa
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Cuchillaco 2019
Virgen de la Candelaria
Humahuaca Jujuy Ar
Em abril desse ano, pela terceira vez, eu participei da peregrinação à Virgencita de Cuchillaco, com meus amigos da família Ninaja em Humahuaca, na Quebrada Nortenha.
Trata´se de uma caminhada, pelas montanhas até uma capela ha uns quatro mil metros de altitude, onde os peregrinos acampam, armam uma cozinha comunitária e por três dias rezam, confraternizam com amigos e parentes e no final trazem de volta a Virgem para o povoado de Humahuaca.
O objetivo maior é trazer de volta a imagem da santa que já subiu a montanha no começo do mês , com o início das festividades.
Tudo isso ao som de dezenas de bandas de Sikuris.
Primeiro amanhecer em Cuchillaco
A família Ninaja tem a tradição de limpar e manter as pequenas trilhas das encostas livres e seguras, para os peregrinos passarem com os andores e as bandas com os seus enormes tambores, pois são caminhos selvagens que ficam isolados todo o resto do ano. É preciso fixar as pedras, abrir novas picadas e tudo mais.
Seria uma tarefa fácil, pois eu sou um homem rústico e acostumado à batalha, mas numa altitude de quatro mil metros, não é fácil. Falta oxigênio e ficamos mais pesados e fracos, o simples ato de caminhar já é penoso.
Quem vem de outros lugares " mais baixos ", não consegue ficar nesse ambiente, tem dores de cabeça e vomitam toda hora.
Eu felizmente sofro uns dois dias, mas consigo me adaptar, inclusive já pedalei em altitudes como essa.
Foi mais um ano em Cuchillaco, graças a amizade e o companheirismo dos meus amigos , que são a minha família, quando estou longe de casa.
Café antes da batalha
Cardones, um simbolo da puña Jujeña
Falta de ferramenta , não é desculpa
O trabalho era duro, mas toda tarde assávamos um Cordeiro
Missa Campal
Cozinha da festa
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